Cronologia Pessoal e Literária de Rómulo de Carvalho

Cronologia de 1933-1975
Outras Datas: 1912 a 1931 | 1976 a 1997 | 1997 a 2000
Ano Data Descrição
1933/74 Ensina durante 40 anos em diversos liceus. Como dizia: “Soube-me bem ensinar. Era essa a minha vocação, ou seja, etimologicamente, a minha voz interior”.
1934 Casa, pela primeira vez, com Maria José da Silva Cardoso.
1936 Nasce o filho Frederico.
1942 Publica o artigo “O aspecto fraudulento da Alquimia”, Liceus de Portugal, nº 15, Lisboa.
1945 Casa, pela segunda vez, com Maria Natália Paiva Nunes.
1946 Publica o artigo “A propósito o centenário de Leibnitz (1646-1716). A força morta e a força viva”, Mundo Literário, nº 33, Lisboa.
1947 Publica A Ciência Hermética, Biblioteca Cosmos, nº 118, Lisboa.
Publica o artigo “A atitude mental de Langevin perante os problemas científicos”, Mundo Literário, nº 37, Lisboa.
Publica o artigo “ Curiosidades da vida de Edison”, Mundo Literário, nº 49, Lisboa.
Publica o artigo “ O primeiro barco a vapor”, Ver e Crer, nº 28, Lisboa.
1948 Publica O Embalsamento Egípcio, Biblioteca Cosmos, nº 142 e 143 (volume duplo), Lisboa.
Publica o artigo “As grandes aventuras do professor Picard”, Ver e Crer, nº 43, Lisboa.
1949 Nasce a filha Maria Cristina.
Publica o artigo “As dimensões do universo molecular e atómico”, Átomo, nº 14, Lisboa.
Publica o artigo “Como foi determinada, pela primeira vez, a velocidade de propagação da luz”, Átomo, nº 22, Lisboa.
Publica o artigo “A escolha do metro como unidade de medida”, Ver e Crer, nº 54, Lisboa.
1950 Publica o artigo “Os átomos existem ?”, Átomo, nº 31, Lisboa.
Muda-se para Coimbra, para a Rua Bernardo de Albuquerque, nº 116, r/c, onde permanece até 1957.
1951 Publica o artigo “No primeiro centenário da morte de Daguerre, o inventor da fotografia”, Átomo, nº 42, Lisboa.
Publica o artigo “No centenário da morte de Oersted que descobriu o electromagnetismo”, Átomo, nº 46, Lisboa.
Planeia organizar uma colecção de obras de divulgação científica destinada à juventude, apoiado “na evolução histórica dos acontecimentos que conduziram a humanidade ao estado actual em que a ciência e a técnica dominam”. A ideia é aprovada pela Atlântida Editora de Coimbra, originando a colecção “Ciência para Gente Nova”.
É informado da existência, no Departamento de Física da Universidade de Coimbra, de um conjunto de peças de material didáctico que tinham feito parte, há 200 anos, do equipamento destinado à fundação da Faculdade de Filosofia, em Coimbra, segundo o espírito da chamada Reforma Pombalina dos Estudos Superiores. Fica interessado nesse material que teria ido para Coimbra no último quartel do século XVIII e, com autorização de António Almeida Santos, então director do Museu Pombalino, começa a estudá-lo, com rigor e minúcia, peça a peça, durante 6 anos. Simultaneamente, ía ao Arquivo da Universidade de Coimbra em busca de documentação relativa à criação do primitivo Gabinete de Física setecentista. Aquele equipamento pertenceu originariamente ao Gabinete de Física do Real Colégio dos Nobres, tendo sido transferido para Coimbra por ordem do Marquês de Pombal.
Publica o artigo “Elogio de Simão Stevin”, Labor, nº 112, Aveiro.
1952 Publica História do Telefone e História da Fotografia, Atlântida, Coimbra. São respectivamente o número 1 e o número 2 da colecção “Ciência para Gente Nova”.
1953 Publica História dos Balões, colecção “Ciência para Gente Nova”, nº 3, Atlântida, Coimbra.
Publica Ferreira da Silva, Homem de Ciência e de Pensamento. 1853-1923, Tipografia da Livraria Simões Lopes, Porto.
Publica o artigo “Leonardo da Vinci, homem de ciência”, Átomo, nº 61, Lisboa.
Inicia a redacção do estudo exaustivo do Gabinete de Física da Universidade de Coimbra, não só do que dele restava, como de tudo o que nele existia desde o início. Acaba a obra, já em Lisboa, em 1963.
1954 Publica História da Electricidade Estática, Colecção “Ciência para Gente Nova”, nº 4, Atlântida, Coimbra.
Publica o artigo “A pretensa descoberta da lei das acções magnéticas por dalla Bella, em 1781 na Universidade de Coimbra”, Revista Filosófica, vol. IV, nº 11, Coimbra.
Concorre com um conjunto de poemas a um prémio de poesia criado pelo Ateneu Comercial do Porto, a propósito do centenário da morte de Almeida Garrett. Reúne esse conjunto de poemas num volume, a que dá o título de A Experiência Dolorosa. O prémio foi atribuído a Miguel Torga, que pediu ao Ateneu que o montante do mesmo fosse utilizado na revelação pública de jovens poetas que tivessem enviado trabalhos dignos de serem conhecidos.
1955 Publica História do Átomo, Colecção “Ciência para Gente Nova”, nº 5, Atlântida, Coimbra.
1956 Rómulo de Carvalho publica, sob pseudónimo de António Gedeão, o livro de poemas Movimento Perpétuo, Atlântida, Coimbra. Esta obra constitui a sua estreia pública como poeta.
20 de Junho Movimento Perpétuo recebe a sua primeira crítica, assinada por David Mourão Ferreira, no Diário Popular.
Publica “Portugal nas “Philosophical Transactions” nos séculos XVII e XVIII”, Revista Filosófica, nos 15-16, Coimbra.
Traduz O Sr. Tompkins explora o átomo, Livraria Escolar Editora, Lisboa (Autor: G. Gamow).
1957 12 de Janeiro O Ateneu Comercial do Porto cumpre o pedido de Miguel Torga e escolhe João Gaspar Simões para seleccionar os poemas enviados. Rómulo de Carvalho foi um dos escolhidos, em conjunto com mais dois poetas, e os seus poemas foram publicados, não com o seu nome, mas sob o pseudónimo de António Gedeão.
Publica História da Radioactividade, Colecção “Ciência para Gente Nova”, nº 7, Atlântida, Coimbra.
Adaptação da História dos Balões na Emissora Nacional. É transmitida em três episódios, sem o consentimento do autor.
São publicados quatro poemas de António Gedeão, que figuram na antologia organizada pelo Ateneu Comercial do Porto, inéditos até à data do prémio atribuído a Miguel Torga.
Regressa a Lisboa, para uma casa na Rua Sampaio Bruno, nº 18, 3º Dto, onde permanece até à data da sua morte.
Durante a sua estada em Coimbra priva com professores como Saavedra Machado, Martins de Carvalho e Joaquim de Carvalho em cuja Revista Filosófica colabora.
É eleito Vogal da Direcção da Sociedade Portuguesa de Química e Física.
1958 António Gedeão publica o livro de poemas Teatro do Mundo, Atlântida, Coimbra.
Rómulo de Carvalho publica o artigo “Joaquim José dos Reis construtor das máquinas de Física do Museu Pombalino da Universidade de Coimbra”, Vértice, vol. XVIII, nº 177, Coimbra.
O artigo anterior é publicado na Revista da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, vol. XXVII, nº 13.
1959 Publica Que é a Física, Colecção Arcádia, Lisboa.
António Gedeão publica o poema “Declaração de Amor”, do livro Máquina de Fogo, na revista Colóquio Letras, Fundação Calouste Gulbenkian.
Rómulo de Carvalho publica História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1761-1772), Atlântida, Coimbra.
Vem referido na Enciclopédia Luso-Brasileira, como Rómulo de Carvalho e não como António Gedeão, conforme estava previsto.
1960 15 de Dezembro O Boletim da Universidade de Toulouse (pp. 221-222) publica uma apreciação da obra História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1761-1772).
24 de Dezembro A Revue de l’Université de Bruxelles publica uma apreciação da obra História da Fundação do Colégio Real dos Nobres de Lisboa (1761-1772).
1961 António Gedeão publica Máquina de Fogo, Atlântida, Coimbra.
António Gedeão figura na Antologia de la Nueva Poesía Portuguesa, coordenada pelo poeta Angel Crespo, Madrid.
1962 14 de Fevereiro O Courrier du Centre Internationel d’Études Poétiques refere que António Gedeão está presente na biblio-teca da Maison Internationelle de la Poesie, Bruxelas.
A convite de Antero Campos de Figueiredo, envia, para figurar nas pastas da Queima das Fitas, um poema inédito: “Poema da Morte Aparente”.
Publica História da Energia Nuclear e História dos Isótopos, respectivamente os números 9 e 10 da Colecção “Ciência para Gente Nova”, Atlântida Coimbra. O autor das capas e dos desenhos desta colecção foi o arquitecto Armando Alves Martins, com excepção dos volumes dedicados à energia nuclear e aos isótopos, cujo ilustrador foi o próprio Rómulo de Carvalho.
1963 28 de Outubro A revista Europa Letteraria, nº 17, publica dois poemas: “Fior di Vaniglia” e “Poesia Épica”, de António Gedeão, traduzidos por Arrigo Repetto, Roma.
António Gedeão publica RTX-78/24, Colecção de Teatro, Guimarães Editores, Lisboa (2 edições). A peça, em dois actos e sete quadros, é reprovada pela Comissão de Censura (processo nº 8076). A segunda edição sai em 1978. Foi apresentada ao público em diversos teatros do país.
Rómulo de Carvalho publica “Apontamentos sobre Martinho de Mendonça de Pina e de Proença (1693-1743)”, Ocidente, vol. LXV, nº 306, Lisboa.
Publica o artigo “Sobre os compêndios universitários exigidos pela Reforma Pombalina”, Miscelânea de Estudos a Joaquim de Carvalho, nº 9, Figueira da Foz.
Colabora, de uma forma dispersa, no Dicionário de História de Portugal, dirigido por Joel Serrão, até 1971.
1964 António Gedeão publica Poesias Completas, onde reúne os três primeiros volumes de poesia. Fizeram-se deste livro 7 edições (total de 21 mil exemplares). Prefácio de Jorge de Sena, Colecção “Poetas de Hoje”, Portugália, Lisboa. A segunda edição deste volume incluiria Linhas de Força, entretanto publicado.
A Voz de Moçambique publica “Lágrima de Preta”.
Publica o artigo “Leonis de Pina e Mendonça, matemático português do século XVII?”, Ocidente, vol. LXVI, Lisboa.
António Gedeão publica “Poema para Galileo”, por ocasião do quarto centenário do seu nascimento, Atlântida, Coimbra.
1965 Roberto Barchiesi traduz o “Poema para Galileo”, Estudos Italianos em Portugal, nº 25, Instituto Italiano, Lisboa. O poema foi publicado em separata bilingue.
Publica o ensaio “O sentimento científico em Bocage”, Ocidente, vol. LXIX, Lisboa.
Publica O sentimento científico em Bocage, Atlântida Editora, Coimbra (que seria Prémio Bocage em 1966).
10 de Fevereiro A Associação Académica da Faculdade de Ciências, realiza uma sessão de homenagem a Galileu, promovida pelo Instituto Italiano, onde foi distribuída uma cópia do “Poema para Galileo”.
1966 20 de Agosto É publicado o poema “Tempo de Poesia”, na página literária do Jornal A Tarde da Bahia, Brasil.
27 de Dezembro Rómulo de Carvalho publica o artigo “A hipótese atómica de John Dalton”, página “Vida Científica”, Diário de Lisboa, ano II, nº 82.
É-lhe atribuído, no âmbito de um concurso de trabalhos literários sobre o poeta Bocage, o “Prémio Bocage”, pelo artigo “O Sentimento Científico em Bocage”. O prémio é-lhe entregue um ano mais tarde, pelo Ministro da Educação, Galvão Teles, aquando da comemoração do 2º centenário da morte de Bocage. Hernâni Cidade preside à Comissão Organizadora.
1967 António Gedeão publica o livro de poemas Linhas de Força, Atlântida Coimbra.
Tradução do poema “Poema da Morte na Estrada” para catalão.
Publicação, no Rio de Janeiro, do livro Poetas Portugueses Modernos, organizado por João Alves das Neves e onde António Gedeão surge representado.
Publica “Relações científicas do astrónomo francês Joseph-Nicolas de l’Isle com Portugal”, Arquivo da Bibliografia Portuguesa, anos X-XII, nos 37-38, Coimbra.
Um jornal dos estudantes do Liceu de Camões publica o poema “Dia de Natal”. O jornal é apreendido pelo respectivo reitor.
1968 14 de Março É convidado por Carlos de Azevedo, do Serviço de Relações Culturais Luso-Americanas, para ter uma conversa com licenciados americanos (bolseiros brasileiros) para preparação de teses sobre Literatura Portuguesa.
Publica A Física para o Povo, volumes 1 e 2, Atlântida, Coimbra. Esta publicação tem por objectivo promover a cultura científica entre as populações.
1969 15 de Fevereiro A Radiotelevisione Italiana (RAI) emite poemas de António Gedeão.
14 de Junho Recebe, de Coimbra, um exemplar do Poema “Enquanto”, fotocopiado pelos estudantes e distribuído nas ruas da cidade, fazendo parte da programação estudantil da luta contra a situação política do momento.
Poemas de António Gedeão são traduzidos para alemão, em Ich kann die Liebe nicht vertragen. Moderne portugiesische Lyrik, Berlim, organizado por Ilse Losa.
António Gedeão é referido em Na Senda da Poesia, União Gráfica, Lisboa, da autoria de Ruy Belo.
1970 13 de Fevereiro Carlos Cruz oferece-lhe o disco de Manuel Freire, editado pelo grupo ZIP-ZIP, comunicando-lhe que o disco tinha sido levado à Feira Internacional de Paris e que um canadiano o pretendia editar em Francês, no Canadá.
11 de Março Faz um contrato com a Sociedade de Escritores e Compositores Teatrais, para a edição de um disco da “Pedra Filosofal” com distribuição mundial, à excepção de Portugal.
7 de Dezembro Recebe o prémio “Pozal Domingues”, pela “Pedra Filosofal”, no Beat Club, Calhambeque, Lisboa.
1971 9 de Julho É informado, pela Agência do Teatro Vasco Santana (Luzia Maria Martins e Helena Félix), que a Comissão de Censura não autorizara levar a cena a peça RTX 78/24.
6 de Dezembro Numa missa da Capela do Rato, em Lisboa, o Padre Alberto recita um poema de António Gedeão.
Publica o artigo “O lume vivo que a marítima gente tem por santo”, Ocidente, vol. LXXXI, nº 399, Lisboa.
1972 18 de Março O grupo de bailado da Fundação Calouste Gulbenkian dança, na Fundação, um “ballet” inspirado no poema “Poema do Homem Só”, de António Gedeão, coreoagrafado por Carlos Trincheiras e com música de André Boucourechliev.
Estudo de Luigi Panarese “Per una poetica di António Gedeão”, com transcrição de muitos traduzidos, L’Albero, vol. XVII, nº 48, Lecce, Itália.
1973 António Gedeão publica a obra de ficção A Poltrona e outras novelas, Atlântida Editora, Coimbra.
1974 António Gedeão está representado na Antologia de poesia portuguesa editada em Moscovo.
1975 18 de Fevereiro Colaborou com 2 artigos: “Átomo” e “História da Química” para a Enciclopédia Logos.
5 de Maio Faz a revisão da parte científica do livro Fantastique Atome, a convite de Fernandes Guedes, da Editorial Verbo.
Publica o ensaio “Ay flores, ay flores do verde pino”, Colóquio Letras, 26, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa.